Ao assistir ao filme “A Culpa” praticamente finalizado, comecei a refletir sobre o papel do roteirista – não só o papel, mas a influência – no conjunto da obra. Na verdade, no conjunto das obras, de todas as obras, gêneros e meios. Primeiro, no cinema, temos o diretor e sua estética, que, de fato, são bastante pessoais. Digo pessoais, mas não personalistas, porque o diretor tem uma forma particular de enxergar o texto, a relação entre personagens e o tom do filme. A culpa, por exemplo, nasceu com sessenta minutos, baixou para trinta e chegou a vinte. Era para se passar nos dias atuais, mas foi remetida aos anos setenta (e se saiu muito bem).
O que eu quero dizer é que o diretor de cinema, quando recebe o roteiro em mãos, assume uma liberdade que na televisão ele não tem. Tanto que os chamados trabalhos autorais, salvo raríssimas exceções, não costumam vingar ou mesmo dar as caras na TV, por sua produção ter um aspecto mais “industrial” e a liberdade de se arriscar ser cada vez menor.
Já para o roteirista de cinema, a situação muda de figura. Claro que ele tem o poder de criar uma história e um grupo de personagens, mas quando ela chegar aos olhos do diretor, poderá ser contada de N formas, picotada e remontada ao ponto de o enredo se perder nesse dadaísmo estético. Às vezes, o personagem coadjuvante vira o protagonista em uma tomada diferente.
Na televisão, a ordem das coisas costuma se inverter. Como o melodrama é o carro-chefe da linguagem, percebemos um domínio muito maior do roteirista sobre as possíveis inovações do diretor. Em geral, as histórias têm um começo, meio e fim bastante claros, uma estrutura até manjada de se elencar os fatos. O melodrama se manifesta principalmente pela força dos diálogos, que, exagerados ou simplesmente bem construídos, não podem ser realocados a bel prazer. Por outro lado, o escritor de televisão tem que seguir uma cartilha de anunciantes, medidores de audiência e diretores de programação que não pode ser devidamente ignorada. Ele trabalha para um mercado e precisa dele para expressar o quer que seja. Assim, ele inova menos, mas tem a obra sob algum controle.
No cinema, ele tem a oportunidade de imergir no texto, nas nuances dos personagens, explorar melhor os cenários e a narrativa, sem se prender a fórmulas rígidas. Mas precisa também ser mais desprendido, entender que o filme e a história não são dele, mas de um todo onde somam o diretor, o diretor de arte, o figurinista, cenógrafo, diretor de fotografia e por aí vai.
Com controle ou descontrole sobre a obra, o escritor, seja de cinema, TV, teatro, internet ou rádio, precisa ter claro em mente que o texto viverá em eterna transformação. Da cabeça ao punho, do papel aos olhos do ator, o enredo se modificará constantemente. Será adaptado, remontado, relido, resumido e ampliado e não haverá muita coisa a ser feita, a não ser entender que a história deixa de nos pertencer a partir do momento que nasce.
O que eu quero dizer é que o diretor de cinema, quando recebe o roteiro em mãos, assume uma liberdade que na televisão ele não tem. Tanto que os chamados trabalhos autorais, salvo raríssimas exceções, não costumam vingar ou mesmo dar as caras na TV, por sua produção ter um aspecto mais “industrial” e a liberdade de se arriscar ser cada vez menor.
Já para o roteirista de cinema, a situação muda de figura. Claro que ele tem o poder de criar uma história e um grupo de personagens, mas quando ela chegar aos olhos do diretor, poderá ser contada de N formas, picotada e remontada ao ponto de o enredo se perder nesse dadaísmo estético. Às vezes, o personagem coadjuvante vira o protagonista em uma tomada diferente.
Na televisão, a ordem das coisas costuma se inverter. Como o melodrama é o carro-chefe da linguagem, percebemos um domínio muito maior do roteirista sobre as possíveis inovações do diretor. Em geral, as histórias têm um começo, meio e fim bastante claros, uma estrutura até manjada de se elencar os fatos. O melodrama se manifesta principalmente pela força dos diálogos, que, exagerados ou simplesmente bem construídos, não podem ser realocados a bel prazer. Por outro lado, o escritor de televisão tem que seguir uma cartilha de anunciantes, medidores de audiência e diretores de programação que não pode ser devidamente ignorada. Ele trabalha para um mercado e precisa dele para expressar o quer que seja. Assim, ele inova menos, mas tem a obra sob algum controle.
No cinema, ele tem a oportunidade de imergir no texto, nas nuances dos personagens, explorar melhor os cenários e a narrativa, sem se prender a fórmulas rígidas. Mas precisa também ser mais desprendido, entender que o filme e a história não são dele, mas de um todo onde somam o diretor, o diretor de arte, o figurinista, cenógrafo, diretor de fotografia e por aí vai.
Com controle ou descontrole sobre a obra, o escritor, seja de cinema, TV, teatro, internet ou rádio, precisa ter claro em mente que o texto viverá em eterna transformação. Da cabeça ao punho, do papel aos olhos do ator, o enredo se modificará constantemente. Será adaptado, remontado, relido, resumido e ampliado e não haverá muita coisa a ser feita, a não ser entender que a história deixa de nos pertencer a partir do momento que nasce.
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