E o meu primeiro - e único - filme já exibido em uma sala de cinema com mais de seis lugares está no Youtube. A saga toda está descrita neste blog mas, em resumo, escrevi o roteiro em 2004, filmamos em 2005/6, e o bichinho ficou pronto em 2009. Nesse mesmo ano ele foi selecionado para o Festival Mix Brasil, que circulou por São Paulo e Brasília. E hoje ele está aqui, no Blogui, para que a rima nunca escape.
A Culpa - Parte 1
A Culpa - Parte 2
terça-feira, 6 de julho de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Palavras
E eles se encontraram, finalmente. Cruzaram os olhos, a boca de cada um fez um sutil movimento. Estavam encantados, felizes por aquele momento inesperado, mesmo que vislumbrado em um pensamento perdido, entre oceanos de outras tantas conjecturas tão menos românticas. Mais tarde ele percebeu, com alguma presunção, que havia escrito palavra por palavra sobre tudo o que havia acontecido. A surpresa foi ainda maior quando adivinhou o nome, o tamanho das mãos, o cheiro um pouco adocicado do perfume. Tudo era descrito com minúcias, algumas frases demonstravam uma empolgação que até parecia meio falsa, mas naquele momento elas mereciam estar lá. Era uma nova história sendo escrita antes mesmo do acontecido, antes mesmo da chuva que caía há mais de sete dias sobre o mesmo local. Só que naquele dia fazia sol e ele fez questão de frisar: fazia sol.
Ao cruzar os olhares, também cruzaram os braços. Estavam indecisos. E depois?
- O amor, respondeu um.
E depois do amor?, perguntou o outro, já pensando nos termos práticos, na união estável, na guarda das crianças e naquela conta chata de luz e de água que chegava sempre um dia depois do vencimento.
- Após o amor, a solidão conjunta, entre uma refeição e outra. Depois disso, um desconhecido abismo, onde enterraremos todas as nossas esperanças. – disse e sorriu logo depois. - Todas as esperanças um do outro – completou.
E aquele encontro já tinha forma, conteúdo, uma estrutura pronta. Não era um idílio apenas, uma idéia escrita noites antes, em um momento de quase desespero. Ele havia descrito um acontecimento, mas naquele exato momento quando as palavras surgiam na tela do computador, ele não fazia a menor idéia de que, de fato, haveria uma realização. Aliás, ele nem pensava ao certo em realizar as palavras. Na hora da escrita, elas já estavam realizadas, organizadas e formatadas. Não havia, em sua mente, um após. Não havia, em seus pensamentos, um banho, dentes escovados, água fria por entre os dedos, sete dias de chuva e um de sol.
Não havia também o inusitado. Mas isso ninguém pode saber. Ao filosofar sobre o fato, quando os dois estavam quase despidos, ele soltou que “ninguém espera pelo inusitado”.
- O milagre é um inusitado – disse o outro. Ele fingiu que não ouviu. Concordou em silêncio. Sim, o milagre é um inusitado e as pessoas esperam por ele. Mas o milagre é diferente. É diferente porque é salvação.
- Você não esperava por uma salvação? – adivinhou o outro. Não havia como discordar. Sim, esperava por uma salvação, uma indicação, qualquer coisa que o tirasse de onde estava. Qualquer coisa que fizesse a chuva dar uma trégua, o trabalho deixar de existir por alguns dias, as costas pararem de doer um pouco. Não pedia muito, apenas algo que não existisse naquele momento. É isso: pedia algo que não estivesse existindo, que fosse criado naquela hora. Mas você existia antes, não?
- Não do jeito que você me vê. Eu era outro antes de te conhecer. Comecei a existir, da forma como sou, quando te encontrei.
Então era verdade. As palavras são o ponto de partida de toda existência.
*texto concebido em dezembro de 2007
Ao cruzar os olhares, também cruzaram os braços. Estavam indecisos. E depois?
- O amor, respondeu um.
E depois do amor?, perguntou o outro, já pensando nos termos práticos, na união estável, na guarda das crianças e naquela conta chata de luz e de água que chegava sempre um dia depois do vencimento.
- Após o amor, a solidão conjunta, entre uma refeição e outra. Depois disso, um desconhecido abismo, onde enterraremos todas as nossas esperanças. – disse e sorriu logo depois. - Todas as esperanças um do outro – completou.
E aquele encontro já tinha forma, conteúdo, uma estrutura pronta. Não era um idílio apenas, uma idéia escrita noites antes, em um momento de quase desespero. Ele havia descrito um acontecimento, mas naquele exato momento quando as palavras surgiam na tela do computador, ele não fazia a menor idéia de que, de fato, haveria uma realização. Aliás, ele nem pensava ao certo em realizar as palavras. Na hora da escrita, elas já estavam realizadas, organizadas e formatadas. Não havia, em sua mente, um após. Não havia, em seus pensamentos, um banho, dentes escovados, água fria por entre os dedos, sete dias de chuva e um de sol.
Não havia também o inusitado. Mas isso ninguém pode saber. Ao filosofar sobre o fato, quando os dois estavam quase despidos, ele soltou que “ninguém espera pelo inusitado”.
- O milagre é um inusitado – disse o outro. Ele fingiu que não ouviu. Concordou em silêncio. Sim, o milagre é um inusitado e as pessoas esperam por ele. Mas o milagre é diferente. É diferente porque é salvação.
- Você não esperava por uma salvação? – adivinhou o outro. Não havia como discordar. Sim, esperava por uma salvação, uma indicação, qualquer coisa que o tirasse de onde estava. Qualquer coisa que fizesse a chuva dar uma trégua, o trabalho deixar de existir por alguns dias, as costas pararem de doer um pouco. Não pedia muito, apenas algo que não existisse naquele momento. É isso: pedia algo que não estivesse existindo, que fosse criado naquela hora. Mas você existia antes, não?
- Não do jeito que você me vê. Eu era outro antes de te conhecer. Comecei a existir, da forma como sou, quando te encontrei.
Então era verdade. As palavras são o ponto de partida de toda existência.
*texto concebido em dezembro de 2007
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
"A Culpa" sai do armário

Dias como esse, quando chegam, merecem ser muito bem comemorados. Afinal, passaram-se alguns anos entre a escritura do roteiro, sua filmagem e, finalmente, a exibição de "A Culpa", que terá sua premiere quarta-feira, dia 18 de novembro, no Festival Mix Brasil. A partir do dia 25 deste mês, o filme será exibido em Brasília, em uma versão "pocket" do Mix Brasil.
Reproduzo, abaixo, o release de divulgação do filme.
“A culpa” sai do armário no 17º Festival Mix Brasil
Curta-metragem de Cássio Pereira dos Santos, com roteiro de Guilherme Macedo, estreia no 17º Festival Mix Brasil
Carlos e Tina são um típico casal de classe média da década de 70, até que em um belo dia ela decide terminar o casamento e sair de casa. Carlos não aceita, discute, não compreende a razão de Tina querer deixá-lo. A discussão aumenta, caminha e chega até o hall do elevador. E, em um instante precioso, Carlos percebe que o elevador não está no andar, mesmo a porta estando aberta. É nesse momento que ele decide empurrar a mulher, que morre na queda. Ali inicia a imensa culpa que irá torturá-lo, vindo à tona a relação entre Carlos, Tina e a misteriosa amiga, Isabel.
Esse angustiante triângulo, ora perverso, ora amoroso, é o mote de “A Culpa”, curta-metragem dirigido por Cássio Pereira dos Santos e escrito por Guilherme Macedo, que estreia dia 18 de novembro na mostra Mapa das Minas, do 17º Mix Brasil Festival da Diversidade Cultural, em São Paulo (SP).
“O filme é um grande exercício de dramaturgia, temperado com boa dose de humor negro e forte influência de Nelson Rodrigues”, sentencia o diretor, que tem conquistado diversos prêmios com o filme “A Menina Espantalho”. O último troféu foi o Sapporo Peace Award, dentro do Festival de Curtas de Sapporo (Japão).
“’A Culpa´ é um filme sobre um amor que não se completa, exatamente porque a culpa, do título, não permite. Desde sempre ela tem sido o pior dos fardos e uma grande batata quente para humanidade”, completa Guilherme Macedo.
Serviço
“A Culpa” (DF), 20min.
Direção: Cássio Pereira dos Santos
Roteiro: Guilherme Macedo
Elenco: André Amaro, Catarina Accioly, Anna Cantón, Bidô Galvão
Exibição: 18 de novembro, às 17h, na mostra Mapa das Minas, Cine Olido (Av. São João, 473 – São Paulo-SP)
Curta-metragem de Cássio Pereira dos Santos, com roteiro de Guilherme Macedo, estreia no 17º Festival Mix Brasil
Carlos e Tina são um típico casal de classe média da década de 70, até que em um belo dia ela decide terminar o casamento e sair de casa. Carlos não aceita, discute, não compreende a razão de Tina querer deixá-lo. A discussão aumenta, caminha e chega até o hall do elevador. E, em um instante precioso, Carlos percebe que o elevador não está no andar, mesmo a porta estando aberta. É nesse momento que ele decide empurrar a mulher, que morre na queda. Ali inicia a imensa culpa que irá torturá-lo, vindo à tona a relação entre Carlos, Tina e a misteriosa amiga, Isabel.
Esse angustiante triângulo, ora perverso, ora amoroso, é o mote de “A Culpa”, curta-metragem dirigido por Cássio Pereira dos Santos e escrito por Guilherme Macedo, que estreia dia 18 de novembro na mostra Mapa das Minas, do 17º Mix Brasil Festival da Diversidade Cultural, em São Paulo (SP).
“O filme é um grande exercício de dramaturgia, temperado com boa dose de humor negro e forte influência de Nelson Rodrigues”, sentencia o diretor, que tem conquistado diversos prêmios com o filme “A Menina Espantalho”. O último troféu foi o Sapporo Peace Award, dentro do Festival de Curtas de Sapporo (Japão).
“’A Culpa´ é um filme sobre um amor que não se completa, exatamente porque a culpa, do título, não permite. Desde sempre ela tem sido o pior dos fardos e uma grande batata quente para humanidade”, completa Guilherme Macedo.
Serviço
“A Culpa” (DF), 20min.
Direção: Cássio Pereira dos Santos
Roteiro: Guilherme Macedo
Elenco: André Amaro, Catarina Accioly, Anna Cantón, Bidô Galvão
Exibição: 18 de novembro, às 17h, na mostra Mapa das Minas, Cine Olido (Av. São João, 473 – São Paulo-SP)
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Marco
"Marco" foi um filme que eu fiz em 2005 com um amigo, o Antônio Campos, irmão, por sua vez, da minha grande amiga Lívia Campos. Ele foi produzido especialmente para o Festival do Minuto, mas não foi selecionado. Uma pena, porque até hoje eu gosto da proposta, mesmo que ela tenha se perdido em alguns detalhes toscos...
Marco pode ser tanto o nome do indivíduo que já nasceu fazendo parte de uma estatística como um trocadilho para aquela marca feita pela polícia, em forma de gente, deixada no chão após um assassinato.
Marco pode ser tanto o nome do indivíduo que já nasceu fazendo parte de uma estatística como um trocadilho para aquela marca feita pela polícia, em forma de gente, deixada no chão após um assassinato.
terça-feira, 28 de julho de 2009
A novela das oito
Wanessa Maia e Dudu Belafonte são um casal de artistas. Como todo o casal, os dois têm seus altos e baixos. Quer dizer, mais baixos que altos, já que não param de brigar. Só que as eternas discussões podem fazer com que eles deixem de estrelar a próxima novela das oito. E é por isso mesmo que o Serginho Miranda, empresário dos dois, não está medindo esforços para selar a paz entre os dois.
****
Essa história foi diretamente inspirada no conflito armado Dado-Luana, que aconteceu há alguns meses e envolveu delegacia, fita métrica, capas de revistas e outros incidentes que acontecem com você e comigo, que somos gente comum.
Parte 1(Clique aqui)
Parte 2 (Clique aqui)
****
Essa história foi diretamente inspirada no conflito armado Dado-Luana, que aconteceu há alguns meses e envolveu delegacia, fita métrica, capas de revistas e outros incidentes que acontecem com você e comigo, que somos gente comum.
Parte 1(Clique aqui)
Parte 2 (Clique aqui)
sábado, 11 de julho de 2009
Mãe é Mãe
A dona Joana é uma mulher que vive para a família. Ou melhor, para o filho único, o Frederico, um homem barbado de trinta e dois anos. Dá pra imaginar como a dona Joana ficou quando o Frederico decidiu se casar. Mas os protestos não adiantaram e o Frederico levou a Luli ao altar. Como já era de se esperar, os problemas entre as duas não demoraram a aparecer. Será que esse casamento resiste?
*****
Essa é uma das novelas que mais gostei de escrever e de ouvir. E a maternidade é um tema fantástico para a dramaturgia. Seja pelo caminho do drama, seja pelo da comédia, o assunto sempre rende. Escrevi esta novela em homenagem explícita à minha mãe que, se pudesse, até hoje me daria vitamina na cama. E não pensem que ela seja neurótica e obsessiva como a dona Joana, mas, tanto pra mim como para o Frederico, ela é única, insubstituível e indiscutivelmente maravilhosa.
Ouça aqui
*****
Essa é uma das novelas que mais gostei de escrever e de ouvir. E a maternidade é um tema fantástico para a dramaturgia. Seja pelo caminho do drama, seja pelo da comédia, o assunto sempre rende. Escrevi esta novela em homenagem explícita à minha mãe que, se pudesse, até hoje me daria vitamina na cama. E não pensem que ela seja neurótica e obsessiva como a dona Joana, mas, tanto pra mim como para o Frederico, ela é única, insubstituível e indiscutivelmente maravilhosa.
Ouça aqui
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Titia é de morte
Danilo decide visitar a tia Eulália, com a intenção de conseguir mais um empréstimo. Dessa vez, ele precisa colocar aparelho nos dentes da filha caçula. Ao chegar à casa da tia, ele encontra Rebeca, a sobrinha criada como filha pela dona Eulália. Os dois percebem que dona Eulália não está respirando e que pode mesmo estar morta. Mas, a última coisa que eles querem é enterrar a pobre mulher, que ganha uma generosa pensão.
Ouça: Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5
Assinar:
Comentários (Atom)